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29/04/2014

Manifesto pacífico realizado pelo SINTESP em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho mobilizou trabalhadores e representantes sindicais na sede da Fecomércio


A sede da Fecomercio foi palco do manifesto pelo “Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho”. Ato promovido pelo SINTESP, na manhã do dia 28 de abril, reuniu, pacificamente, mais de 200 pessoas entre representantes sindicais e trabalhadores

 

Com a palavra de ordem “Trabalhar sim, Adoecer Não”, o SINTESP aproveitou a oportunidade do evento realizado pela SRTE-SP - Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Estado de São Paulo, com a participação do Ministério do Trabalho e Emprego, no Teatro Raul Cortez, na sede da Fecomercio, em São Paul, SP, para somar forças e promover um manifesto pacífico em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.

 

O ato reuniu mais de 200 pessoas entre diretores e funcionários do SINTESP, Técnicos de Segurança do Trabalho, representantes sindicais e das centrais sindicais, trabalhadores e população em geral, na manhã do dia 28 de abril – Dia Internacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, em repúdio ao alarmante aumento de adoecimentos e mortes ocorridos nos ambientes de trabalho no Brasil nos últimos anos.

 

O presidente do SINTESP, Marcos Antonio Ribeiro, o Marquinhos -, comandou o ato em frente a Fecomercio lembrando que o dia não era de comemoração e, sim, de reflexão para que haja um trabalho mais direcionado para a prevenção nos ambientes de trabalho.

“Estamos, neste momento, reunidos para um ato pacífico em memória das vítimas de acidentes e doenças do trabalho, pois, infelizmente, esse dia nem deveria existir, mas como é uma triste realidade deveríamos estar preparados para fazer esse movimento 365 dias por ano! Não é possível ficarmos tolerando que todos os dias um trabalhador fique doente ou morra no seu ambiente de trabalho. Se estudarmos as estatísticas, veremos que nós temos um ‘boing’ por mês matando trabalhadores em todo o Brasil e ninguém toma nenhuma atitude. Neste momento de indignação temos que mostrar que cerca de R$ 70 bilhões são gastos por causa de problemas de saúde do trabalhador, mutilado, morto, doente. Nós temos que acabar com isso! Nós não podemos aceitar esse cenário! O trabalhador hoje sai 4h00 da manhã para trabalhar, mas não sabe se retorna para o seu lar. Isso não pode acontecer!”, declarou Marquinhos.

 

Na ocasião, várias pessoas que estavam em frente à Fecomercio ouviram do presidente do SINTESP seu protesto e de toda sua diretoria. Ele deixou bem claro que este é um dia em que não se deve comemorar nada. “Hoje é um dia para mostrar toda a nossa indignação, porque estamos perdendo vidas de trabalhadores, de nossos companheiros que trabalham 365 dias por ano trazendo a riqueza para esse país e, infelizmente, o que ele recebe é um acidente, é a morte, é o assédio moral, o assédio sexual. Não podemos aceitar essa realidade. Esse movimento pacífico é justamente pra isso, pra mostrar nossa indignação pelo que vem ocorrendo. Nós poderíamos muito bem estar dentro de uma sala falando sobre segurança do trabalho, falando sobre a saúde do trabalhador, mas isso não adianta mais porque não é só isso que vai resolver o problema. Nós temos é que mostrar nossa indignação pelo que está ocorrendo com o desmonte do Ministério do Trabalho, o desmonte da Fundacentro, todos os órgãos que estão sendo acabados quando falam em prol do trabalhador. Hoje, estamos vendo a situação da NR 12 e, infelizmente, nós não podemos aceitar essa situação porque tudo que é para o trabalhador, para a melhoria da qualidade de vida do trabalhador estão querendo tirar. Um patrão fala que não pode atender uma norma que foi aprovada pelo regime tripartite. Como que não pode? Ele alega o aumento de imposto. Que imposto? Patrão não paga imposto porque todo o imposto dele ele joga no produto dele. Agora, o trabalhador paga imposto, é descontado na fonte, e além de pagar o imposto ainda sofre acidente, ainda morre, ainda é mutilado! Esse trabalhador é responsável pela riqueza dessa nação e nós não podemos aceitar mais essa situação. Por isso, não estamos comemorando nada aqui, estamos fazendo uma ato de repúdio ao que vem ocorrendo e queremos chamar a atenção para que haja uma mudança!”, alertou Marquinhos.

 

No início do manifesto, o diretor Rene Alves Cavalcanti fez uso da palavra e ressaltou que a questão é tão séria que é necessário que se tenha um dia, não só no Brasil, mas no mundo, em memória as vítimas de acidentes e doenças no trabalho. “Para o Brasil, como um dos países que mais causa acidentes do trabalho, é um dia lamentável. Estamos aqui em memória a essas vítimas e suas famílias e para reforçar que o governo, que seria responsável por providenciar a segurança, que é quem faz a legislação, quem tem que fiscalizar, nas suas obras os trabalhadores morrem. Temos como exemplos o caso do Rodoanel, que é uma obra do PAC”, informou.

 

Ainda, segundo Rene, o trabalhador ganha o seu salário em troca do seu trabalho, da sua mão de obra, não em troca da sua saúde ou da sua vida. “Está especificado na lei que a morte por homicídio é um crime, na qual quem mata é preso, então, porque empresários, gestores de empresas não são presos pela morte de trabalhadores? Nós temos que fazer cumprir a lei, punir quem mata. A morte do trabalhador deveria ser investigada a sério pela polícia, assim como o acidente, a doença, uma lesão corporal, que também está no código penal como crime. É obrigação da empresa prevenir e não o de usar o argumento de que o acidente ou morte é culpa do trabalhador, como acontece na maioria dos casos. A culpa é da empresa! Ela tem que se preocupar e atuar para prevenir esses acontecimentos, além de reforçar a educação e conscientização do trabalhador. Temos também que exigir que os sindicatos fiscalizem mais as empresas e solicitem com mais rigor que elas promovam um ambiente seguro para o trabalhador”, destacou Rene entre outras questões abordadas em seu discurso durante o ato.

 

Além disso, durante a manifestação, diversos dirigentes sindicais, como da Força Sindical, do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil e da UGT, também fizeram uso da palavra em apoio ao manifesto do SINTESP, que chamou a atenção dos transeuntes do local, da imprensa, da Polícia Militar e de algumas das autoridades que foram convidadas pela SRTE-SP para o evento na Fecomercio e que fizeram questão de cumprimentar Marquinhos e toda sua diretoria pelo simbolismo que o ato representou em apoio às vítimas e suas famílias, mas também pelo caráter pacífico da manifestação.

 

Entre eles, o superintendente da SRTE-SP, Luiz Antonio Medeiros, fez questão de convidar o SINTESP e todos os manifestantes para participarem do seminário. O convite foi aceito imediatamente e os manifestantes lotaram o teatro Raul Cortez, no 2º andar do prédio da Fecomercio. Ao longo da programação, as autoridades e especialistas convidados expressaram a importância da manifestação pacífica e demonstraram solidariedade aos objetivos do SINTESP.

 

Aguardado com grande ansiedade por todos os presentes, o ministro do Trabalho, Manoel Dias, ao comparecer ao evento salientou a importância da data para lembrar as vítimas em todo o mundo e ressaltou que o MTE tem atuado fortemente para reduzir os índices de acidentes e mortes no país. Ele destacou também, em depoimento ao Jornal Primeiro Passo do SINTESP, a importância do setor de segurança e saúde para ajudar nessas ações. Na ocasião, o diretor Sebastião Ferreira, representando o presidente Marquinhos, entregou ao ministro Manoel Dias uma carta aberta em prol da segurança e saúde do trabalho. O ministro agradeceu a iniciativa e disse que daria atenção especial ao conteúdo especificado na carta.

 

Para o SINTESP, a manifestação foi muito bem-sucedida e atingiu as expectativas de todos os envolvidos. “Sabemos que ainda há muito para ser feito, pois de todas as falas que ouvimos aqui hoje faltaram enfatizar que sejam praticadas ações efetivas para se fazer cumprir a legislação, que é a ferramenta principal que temos para acabar com esse quadro lamentável de acidentes e mortes, mas acreditamos que estamos fazendo a nossa parte e vamos continuar lutando em prol da vida do trabalhador”, concluiu Marquinhos.

 

A cobertura completa sobre a manifestação e diversos eventos que ocorreram em todo o país sobre o Dia 28 de abril você acompanha na próxima edição do Jornal Primeiro Passo.

 

Ass. Imprensa SINTESP

 

Veja Galeria de fotos:

Manifesto pacífico do SIINTESP pelas vítimas de AT.

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