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SINDICATO DOS TÉCNICOS DE SEGURANÇA DO TRABALHO NO ESTADO DE SÃO PAULO


Ética, competência, dignidade e compromisso com a categoria


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02/08/2015

Prevenção Coletiva pode evitar 5 milhões de acidentes de trabalho por ano


 

Na reportagem especial desta semana a equipe de jornalismo do Pró Trabalhador ouviu o presidente do Sintesp e quis saber qual o perfil para quem deseja atuar ou contratar um Técnico Segurança no Trabalho e qual a principal bandeira da entidade para evitar acidentes. Segundo o presidente do Sintesp: “Investir em Prevenção Coletiva é o caminho mais curto para evitar mutilações e salvar vidas”, afirma Marquinhos.

 

Para o presidente do Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho no Estado de São Paulo (Sintesp), Marcos Antônio A. Ribeiro (Marquinhos), o investimento em Prevenção Coletiva, educação e também os cuidados na escolha do perfil da pessoa que será contratado para implantar o programa de segurança são fatores determinantes para a mudança do triste cenário revelado em pesquisa inédita do IBGE.

 

Segundo números divulgados no IBGE, ocorrem por ano em todo país 5 milhões de acidentes de trabalho. São 613 mil trabalhadores com sequelas ou algum tipo de incapacidade por causa de acidentes. Cerca de 1,627 milhões deixaram as atividades habituais e 284 mil foram internados.

 

Pró Trabalhador: Qual deve ser o perfil da pessoa que abraça a carreira de Técnico Segurança do Trabalho?

 

Marquinhos: O meu interesse por este ramo começou após participação da primeira reunião de CIPA (Campanha Interna de Prevenção de Acidentes). Após um concurso interno para participar da CIPA eu fui fazer o curso e me formei em 82. Sempre digo que para ser Técnico de Segurança é necessário gostar de “fazer o bem”, “gostar de ser humano”. Mas infelizmente não é isso que ocorre hoje em dia. Pois atualmente muitos passam a atuar nesta área, atraídos pelo piso da categoria R$ 3 mil, piso este quem nem muitas pessoas com o curso superior conquistaram. É até comum vermos o seguinte anúncio por ai: “Comece a fazer o curso Técnico Segurança no Trabalho e passe a ganhar R$ 3 mil por mês”.

Por isso eu divido as pessoas que estão no mercado em dois perfis:

Prevencionista = profissionais que aprendem as técnicas e tem dentro de se si a paixão por prevenir cuidar do trabalhador.

Técnicos = conhecem as técnicas e ocupam lugar dentro das organizações em razão da norma NR- 12

 

Pró Trabalhador: A que as empresas atribuem os altos índices de acidente de trabalho divulgados na pesquisa do IBGE?

 

Marquinhos: As empresas tentam empurrar a culpa para o trabalhador. É o chamado: “Ato Inseguro” (dizer que o trabalhador é culpado pelo acidente). Quando na verdade se o trabalhador não usa o EPI (Equipamento de proteção individual) é porque não conhece, não foi conscientizado, não possui o equipamento. Ou ainda por que o ambiente de trabalho não foi projetado para que exista a prevenção dos acidentes.

 

Pró Trabalhador: Quais fatores poderiam contribuir para a melhora do perfil dos Técnicos existentes no mercado?

 

Marquinhos: Acredito que antes de ser Técnico de Segurança no Trabalho a pessoa devia passar por uma avaliação psicológica para ver o compromisso dela com a vida.

 

Pró Trabalhador: Quais as consequências para quem não exerce adequadamente a profissão?

 

Marquinhos: Nós somos uma categoria diferenciada, que respondemos Civil e Criminalmente, por isso devemos ganhar melhor. Mas os empresários, infelizmente não conseguem ver os ganhos a médio e longo prazo. A Lei fala em manter um Técnico para cada 100 funcionários. Mas os empregadores só se questionam: “O que eu vou ganhar na proteção ao trabalhador?”.

 

Pró Trabalhador: No caso da segurança o que mais conta: o comportamento ou o uso do EPI?

 

Marquinhos: Comportamento, se eu vou construir o prédio, primeiro deveria fazer um projeto e incluir ali as questões de segurança. Mas infelizmente não é isso que acontece. É triste dizer mas as empresas fazem mega projetos, (e deixam de)  incluir as questões de segurança. Desta forma os gastos com o projeto comem toda a questão de segurança e qualidade de trabalho. Por isso, voltamos ao mesmo ponto do início da entrevista. Primeiro se investe em Prevenção Coletiva e depois em EPI.

Se as empresas investissem no que reza a NR12 de máquinas e equipamentos, o trabalhador pode até querer, mais ele não consegue se acidentar. A máquina esta protegida de tal maneira que ele não consegue chegar. Porque a “Proteção coletiva” não deixa. Sua mão chegou perto, a máquina desliga. É duro chegar ao nosso conhecimento que existem   líderes que retiram a proteção coletiva para aumentar a produtividade.

 

Pró Trabalhador: Como deve acontecer o trabalho de prevenção?

 

Marquinhos: A primeira coisa é a Educação, mas para isso deve se levar em consideração o ambiente. Exemplo: Eu vou dar uma palestra em uma obra. Onde vai ser ministrada? Num refeitório. Que condições está este refeitório? Se as condições forem insalubres, ou seja, se o mesmo estiver sujo, frio, barulhento; é claro que não darei a palestra lá! Isto vai fazer mal para mim e para os trabalhadores que forem me ouvir.

 

Pró Trabalhador: Qual o papel do Técnico de Segurança: fiscalizador ou educador?

 

Marquinhos: Não somos inspetores de segurança ou fiscalizadores; e sim  educadores. Trabalhamos com conscientização.  

 

Pró Trabalhador: Quais as categorias com maior número de acidentes?

 

Marquinhos: Transporte e Construção Civil. Só em transporte são 45 mil por ano. Com as terceirizações e muitas pessoas trabalhando na informalidade, o

negócio esta mais feio do que a gente pensa.

 

Pró Trabalhador: Quais outras ações são importantes para a melhor qualidade de trabalho?

 

Marquinhos: Ações para evitar doenças que causam problemas a curto e longo prazo na saúde do trabalhador. Tais como: Pneumonia, L.E.R(Lesão do esforço repetitivo) D.O.R.T (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho)  e o Assédio Moral... Por isso, o ideal seria que as empresas também fossem conscientizadas a contratar outros profissionais tais como: Fonoaudiólogos, Psicólogos, Nutricionistas...

O tema Saúde e Segurança do Trabalhador, e a especialização para profissionais que já atuam na área, em breve volta a ser pauta, na agência de notícias do Pró Trabalhador. Continuem acompanhando e enviando sugestões para contato@protrabalhador.com.br

 

Fonte: Pró Trabalhador

Publicado: 27/07/15
Texto: Regina Ramalho
Foto: Edi Sousa Studio Artes

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