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SINDICATO DOS TÉCNICOS DE SEGURANÇA DO TRABALHO NO ESTADO DE SÃO PAULO


Ética, competência, dignidade e compromisso com a categoria


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21/04/2017

Qual o objetivo maior da formação profissional?


 

As escolas técnicas estão formando profissionais técnicos em segurança do trabalho competentes?

 

Os cursos técnicos profissionalizantes aceleram a entrada no mercado de trabalho e surgiram para atender a carência de mão de obra técnica. Dessa forma, supririam a demanda de mercado cada vez mais crescente para profissionais qualificados e especializados, frutos da boa formação e com competência para aplicar a aprendizagem proporcionada pelo curso técnico.

 

Com base nesse fato, um dos principais motivos em buscar esse tipo de formação, é a necessidade do aluno em entrar rapidamente para o mercado de trabalho, levando em conta que a formação a nível médio técnico, tem o objetivo de especializar e capacitar profissionalmente os alunos em áreas específicas, com conhecimentos práticos e teóricos nos diversos segmentos de trabalho. Por esse motivo, os cursos técnicos surgiram focados em aprendizagens práticas, com o objetivo de formar trabalhadores especializados, haja vista que para o mercado de trabalho não é só o diploma que conta, a competência, conhecimento e habilidades adquiridas na formação técnica, podem ser o diferencial na hora de concorrer à vaga de emprego se levado em conta a qualificação da prática que a formação técnica a nível médio deveria proporcionar, e assim atender as necessidades das empresas que necessitam de domínio e capacidade imediata para a função.

 

O que o SINTESP tem observado junto aos técnicos em segurança do trabalho recém-formados é o inverso disso, pois os cursos de formação não suprem a necessidade de ensino prático que a profissão exige e é inerente a atuação do TST, os quais, em grande número, concluem o curso com deficiências nas disciplinas que exigem ensino prático e aferição da aprendizagem, uma vez que lhes foi proporcionado formação somente teórica - a exemplo: avaliações quantitativas de agentes ambientais, técnicas de suporte básico à vida, aplicação de técnicas de segurança em trabalhos que envolvam riscos com normas especificas, e elaboração efetiva de programas de prevenção.

 

Sempre acompanhando e avaliando a necessidade de melhor qualidade na formação do profissional TST, pois existem em São Paulo 400 escolas autorizadas a ministrarem o curso técnico em segurança do trabalho, o SINTESP aponta alguns motivos dessa deficiência, a exemplo da controversa experiência dos docentes. Grande parte desses profissionais - que formam outros profissionais - não tem vivência prática, e nunca atuaram em campo após sua formação. Tornaram-se professores e, consequentemente, sem ter experiência e habilidade prática ensinam somente a teoria. Podemos destacar, a exemplo dessa questão, a formação tecnológica - nível superior - de algumas profissões, que nem sequer encontram atuação no mercado de trabalho, e, sem experiência alguma na profissão, esses formandos não encontram alternativa senão a de trabalharem como docentes nos cursos técnicos.

 

O mais impactante é o descalabro das justificativas oferecidas por parte de algumas escolas, que alegam não possuírem recursos financeiros suficientes para viabilizar a contratação de docentes com proficiência comprovada. O resultado dessa falta de experiência prática dos formadores são uma das principais deficiências verificadas na formação.

 

Não podemos esquecer também – que é igualmente grave – o descaso para com a qualidade e o pensamento frenético de algumas instituições escolares para com o lucro a qualquer custo, instalando seus cursos, sem um laboratório adequado ou mesmo sem qualquer equipamento necessário, disponibilizam materiais de apoio desatualizados, de baixa qualidade, não cumprem os planos de aula ou não aplicam os conteúdos inseridos em suas ementas.

 

Neste sentido, acabam por descumprir totalmente o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos do MEC, que recomenda para aulas práticas, a seguinte estrutura: Laboratório de combate a incêndio - Laboratório de higiene e segurança do trabalho - Laboratório de suporte básico à vida; estrutura mínima para capacitar o profissional Técnico em Segurança do Trabalho, com o devido suporte, além de uma didática pedagógica competente.

 

Esse absurdo, assim como outros, é embasado na desculpa de sempre: “investimento muito alto”, e, desta forma, além de proporcionarem uma formação de qualidade questionada, se incluem na ilegalidade, pois deixam de cumprir uma determinação legal, esquecendo-se que o requisito básico não é somente lucrar com a venda de cursos, mas obrigatoriamente, cumprir o que determina o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos e contribuir com a sociedade oferecendo capacitação capaz de inserir no mercado de trabalho profissionais que venham a atuar com a devida competência, necessária frente às futuras adequações dos diversos tipos de ambientes de trabalho, aos riscos dos mais variados, à luta pela diminuição dos acidentes e doenças do trabalho, à busca pelo trabalho decente, e tantos outros desafios que a demanda da profissão exige, todos do interesse da própria sociedade brasileira.

 

por Tânia Angelina dos Santos (diretora de Formação Profissonal)

Colaboração de Adonai Ribeiro

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